De volta a mim: Minha identidade além de ser mãe – Revista Mães que Escrevem

maternidade ocupou papel central na minha vida desde que me descobri grávida. A partir de então, por mais de dez anos, toda minha vida girava em torno da minha filha. O título de mãe virou a peça fundamental da minha identidade.

Além disso, minha rotina precisava ser aderente à dela, meus programas de fim de semana giravam em torno da sua agenda, até minhas companhias se relacionavam com o círculo social dela. Fazer qualquer coisa sem a pequena, demandava um complexo planejamento logístico com minha rede de apoio. Isso aumentava o grau de dificuldade tanto para atividades curtas, como a prática de atividade física, quanto para planejamentos mais elaborados, como um fim de semana romântico a dois.

Com a chegada da adolescência, a demanda da minha filha começou a diminuir e passei a ter gradativamente mais tempo para mim, para minhas próprias demandas. Na redescoberta da liberdade, acabei me questionando: o que mesmo eu gostava de fazer? Quais eram meus hobbies antes da maternidade? O que eu costumava fazer nos meus fins de semana?

Para minha surpresa, o que eu gostava de fazer antes da maternidade não era mais o que eu gostaria de fazer atualmente. Durante esses mais de dez anos, mudei. Não sou mais a mulher de antes. Provavelmente, eu teria mudado de alguma forma, independentemente de ser mãe. Afinal, mais de dez anos se passaram. Ainda assim, é incontestável a gigantesca influência que a maternidade teve nessa mudança. Afinal, ser mãe ocupou a centralidade da minha vida por todo esse tempo.

Por um lado, quero acreditar que amadureci, que trata-se de uma evolução. Por outro lado, pontos de vista tão otimistas costumam ser bastante frágeis. Sequer sei se foi uma boa ideia deixar a maternidade ocupar um papel tão grande na minha vida enquanto eu mesma, e tudo mais, ficava em segundo plano. Ainda assim, não saberia fazer diferente. Não conseguiria ser mãe com menos intensidade sem trair minha essência. Voltasse no tempo, faria igual.

Agora, me pego descobrindo quem é essa nova “eu”. Como e com quem quero estar. Não tenho mais a obrigação de estar todo o tempo com minha filha, já que ela não depende mais de mim para ter suas necessidades básicas atendidas nem para ir aos lugares.

Cada vez mais, estar com ela se torna uma deliciosa e leve escolha. Essa mulher que estou me tornando, parece valorizar escrever um novo capítulo a cada dia, ratificando ou retificando decisões anteriores. Em meio a tantas mudanças, a maternidade é uma constante, mas está passando por intensa reformulação.

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