Mulheres 50+: ressignificando escolhas, envelhecimento e liberdade – Escritor Brasileiro

A série “Sex in the City” (traduzido para “O Sexo e a Cidade”) marcou uma geração de mulheres jovens no fim dos anos noventa e início dos anos dois mil. A continuação desta série, intitulada “And Just Like That”, se propõe a retratar estas mesmas personagens (quase todas), agora em idade mais madura. Na última temporada, a protagonista Carrie Bradshaw começa a escrever seu novo livro com a frase: “The woman wondered what she had gotten herself into” (a mulher se perguntou no que ela tinha se metido, tradução livre).

A maioria das mulheres que se identificava com as quatro personagens principais há quase trinta anos atrás, hoje tem por volta de cinquenta anos e se questiona o mesmo. Qualquer que tenha sido a escolha de cada uma, nesta idade, algum caminho já foi percorrido. Nessa etapa, é bastante usual fazer um balanço para ver o que valeu a pena e quais as melhores opções para o futuro. Não raro, surge a mesma pergunta escrita pela personagem Carrie: em que eu me meti?

Alguns chamam essa reflexão de crise dos cinquenta, implicando numa conotação negativa. Na verdade, nada mais saudável do que pensar e repensar as decisões que são continuamente tomadas. A conotação negativa deveria ser relacionada ao oposto, a seguir reafirmando diariamente as mesmas escolhas somente pela força do hábito. Entretanto, nesse ponto, nossa sociedade parece ter estacionado séculos atras (época em que se passa o livro escrito pela Carrie), quando uma mulher fazendo questionamentos não era de bom tom.

O fato é que as resoluções feitas na juventude não precisam traçar um único destino obrigatório até o fim da vida. Carreiras podem ser redirecionadas ou iniciadas ao longo da vida. Casamentos podem terminar, ou se reconfigurarem. Filhos podem trazer demandas não planejadas anteriormente. Novas conexões podem aparecer e abrir portas para um universo nunca antes explorado.

Trata-se de uma geração de mulheres que está ressignificando o envelhecimento, combatendo o etarismo e criando uma nova forma de viver a maturidade. A possibilidade de envelhecer com qualidade de vida vem impactando o mercado de trabalho, além de criar demandas de produtos e serviços. A pressão estética, como a “obrigatoriedade” de evitar os cabelos brancos, vem sendo questionada. A vida social e amorosa dessas mulheres não tem data de vencimento.

Provavelmente, as recentes alterações nas recomendações médicas relacionadas à menopausa tenham grande influência sobre a forma das mulheres estarem vivenciando esta fase. Durante décadas, as alterações hormonais e seus respectivos impactos eram tratadas somente para os homens, quando estes apresentavam queda da testosterona, por exemplo. Quando eram as mulheres apresentando queda de progesterona, estrogênio e outras questões, as recomendações eram somente para buscarem hábitos mais saudáveis e serem resilientes com o declínio de qualidade de vida, o que atualmente começa a ser pertinentemente chamado de Gaslighting Médico. Com o olhar mais empático e cuidadoso ao tratamento dos sintomas da menopausa e perimenopausa, as mulheres com mais de cinquenta anos passam a planejar como querem passar a segunda metade da vida. Nesse momento, a maturidade pode viabilizar que estas mulheres tomem as rédeas de suas vidas e se façam o questionamento retratado na série.

Qualquer que seja a motivação de cada uma, ao constatar esse movimento feito por esta geração de mulheres, é inevitável concluir enfaticamente, assim como Carrie Bradshaw fez no seu livro: How wonderful! How wonderful! How wonderful! (Que maravilhoso! Que maravilhoso! Que maravilhoso! Em tradução livre).

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